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Visual novo

07/06/2016 • 1 Comentário

Oi gente, tudo bem?

Já faz um bom tempo que apareci por aqui pra conversar ou contar algo pra vocês, mas hoje trago finalmente a novidade que vim guardando por esse tempo todo! Em março desse ano, dei início a um grande aprendizado sobre design, web, blogs e etc. Ainda sei pouquíssimo sobre esses assuntos, mas foi com a paciência e simpatia de duas meninas incríveis que o blog ficou do jeitinho que ele está hoje e que fui conhecendo um pouco mais sobre essas áreas.

O que vocês acharam dessa nova mudança? Mal podia esperar por esse dia para que vocês todos pudessem ver comigo de pertinho tudo que está de cara nova! Graças à Thais, e a Mari, o MsVoyage virou um cantinho que me representa muito e que me dá orgulho de chamar de meu. Espero que vocês gostem tanto quanto eu e possam me acompanhar agora, em um espaço mais clean e organizado 🙂 Fiquem à vontade para navegar nos novos links, me mandar sugestões e como sempre, viajar comigo por aí. Pra quem estava com saudades, logo começo a aparecer mais por aqui e prometo me comprometer a posts novos toda a semana! Afinal, adoro levar vocês comigo nas minhas viagens e interagir nas redes sociais. Abaixo, deixo o último blog que fiz, onde levo vocês todos a Paris <3

beijos, Fernanda
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Efeitos das despedidas

29/03/2016 • 5 Comentários

Efeito das Despedidas

Dizem que para cada despedida, vem um novo “Olá”. Que nada é pra sempre e que a vida é breve. Essas e outras frases insistiam em preencher minha cabeça e deixar aquele gosto amargo na garganta. Quem é que inventou o adeus? (ou o definiu?) Certamente, na inocência, não sabia o peso que a palavra ia carregar conforme mais e mais pessoas no mundo a reproduziam.

Os quilômetros de distancia até o aeroporto iam diminuindo de acordo com o google maps e meu peito apertando mais pouco a pouco. Uma semana havia sido tão pouco. Achei que depois de quase 3 anos de experiência, eu teria aprendido. Achei que depois de dizer tantos “adeus”, que ficaria cada vez mais fácil partir lados e continuar vivendo. Que a dor no peito seria mais leve e que a chateação seria menor.

Acho que isso não existe.
E não sei dizer se isso é por amadurecimento próprio ou se é por uma regressão mesmo.
A prática não leva a perfeição? Talvez não haja prática para sentimento… Mas não existem tantos textos reflectivos sobre a gente aprender a se amar mais, se cuidar mais, se valorizar mais? Ou se importar menos, se estressar com menos frequência, levar as coisas numa boa.. Isso tudo não é sentimento?

Lembro de todas as vezes que viajei com a minha mãe e minhas irmãs e do quanto uma “viagem” era algo grande pra nós. Era todo um planejamento para fazer as malas, preparar os documentos, ir para o carro e chegar no aeroporto em tempo. Fazer o check in, entrar no avião e finalmente decolar. Curtíamos cada etapa e viajar de avião era algo tão grande e importante pra nós, que todos iam no aeroporto dar tchau ou receber alguém quando chegavam.

Desci do taxi, peguei as malas e me dirigi até o elevador.
Tive vontade de chorar.
Minhas viagens atuais se resumiam a isso. Eu chegava sozinha e ia embora sozinha. Em silêncio. De mente agitada e peito sufocado. Os “Adeus” eram feitos em casa, antes de irem pro trabalho ou em um intervalo rápido na empresa. E eu me fiz acreditar que estava bem com tudo isso. “O mundo não para por você”, e eles estão certos. Não é isso que pessoas adultas fazem? Acordam, tomam café da manha, se arrumam pro serviço, trabalham, voltam pra casa, jantam… Cuidam de si mesmas, sozinhas, por aí? Cheguei naquele ponto da ansiedade em que dizia pra mim mesma que eu era dependente sentimentalmente das pessoas e que devia aprender a lidar com sentimentos engasgados por mim mesma. Mas, hey.. Não era Tom Jobim que dizia “É impossível ser feliz sozinho”?.

Talvez eu fosse mesmo um pouco emocionalmente dependente das pessoas que eu amava. Acho que temos que ser fortes o suficientes para encarar os problemas com cara dura e ir atrás da solução sejam eles físicos ou emocionais. Mas será mesmo que era tão errado deixar que as pessoas próximas a nós nos dessem uma mãozinha quando a gente precisasse?

“Tenha um bom voo!”, me disse o moço do check in.

Enquanto colocava minha bagagem em ordem para passar pela segurança, notava as famílias viajando juntas. Pais e filhos, senhores e senhoras de idade se aventurando pelo mundo, jovens provavelmente embarcando para fazer mochilão pela europa e quilos de bagagem a passar pela esteira e raio x.

É importante se aventurar pelo mundo. Pelas escolhas próprias. Pelos caminhos escolhidos por você e só por você. É importante viajar sozinho para se auto-descobrir. Para poder definir bem o que você quer, o que você gosta e o que você não aceita de jeito nenhum. Mas também é importante ter alguém com quem contar. Ou algo. Não importa quem for ou o que seja. Veja bem, estou me referindo aqui a um porto seguro. A algo que lhe motive, que te dê forças e que sempre seja aquela coisa que vai te fazer parar, refletir e seguir em frente seja qual for o momento difícil que você esteja passando. E isso não tem nada a ver com ser emocionalmente dependente. Tem mais a ver com a fonte da sua perseverança e busca por dias melhores.

Eu percebi que detesto despedidas, que não aprendi a levá-las na esportiva e que não fiquei melhor com o tempo, mas que tenho que lidar com elas e com o fato de que minhas escolhas as tornaram mais presentes na minha vida. E que se eu sofro tanto nas despedidas, é por que eu sou sortuda o suficiente para ter pessoas que me amam com todo o meu coração e que me apoiam e torcem por mim onde quer que eu esteja.

Eu tenho “alguéns” com quem posso contar. Alguéns que, do serviço, de casa, do ônibus e de onde quer que estejam, estarão comemorando que estou chegando mesmo que pra ficar poucos dias. Alguéns que assim como eu, estarão esperando por dias melhores.

Dias onde eu vou chegar e não vou mais ter que ir embora.
Dias onde não teremos mais que dizer adeus.
Nem eu e nem eles.

beijos, Fernanda
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Intercultural dating

15/02/2016 • 3 Comentários

 O que aprendi em um relacionamento intercultural

Nenhum relacionamento vem com um manual de instruções. O máximo que podemos fazer, é procurar conselhos, dicas e algum conforto em saber das experiências de família e amigos quando se trata de amor. Entretanto, ao se relacionar com uma pessoa de país, língua e cultura totalmente diferentes da sua, a situação é ainda mais diferente.

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Conheci o Jun através de amigos em comum, em um dia de folga. Ele estava passando as férias com a família em Dubai e eu estava em um daqueles dias programados para resolver perrengues. Seu inglês perfeito (e devo dizer, com sotaque australiano) me confundiu um pouco, mas finalmente chegamos na pergunta mais comum de Dubai em um diálogo: “De onde você é?“. Não bastasse nossos países ficarem a 0923810923 de quilômetros de distância um do outro, morarmos em lugares diferentes e pertencermos a continentes opostos, nós, de alguma forma, clicamos.

Um relacionamento entre duas pessoas de mesma cultura, língua e país já é naturalmente marcado por conflitos, momentos, memórias e etapas. Namorar uma pessoa onde tudo isso é diferente, torna a relação um desafio bem maior. Um grande exemplo disso, foi o meu pedido de namoro. Após uma semana de termos nos conhecido, Jun insistia que devíamos namorar, enquanto eu (como qualquer brasileira) estava com o pé atrás e lutava contra o quão maluco me soava. Foi quando ele me perguntou por quê eu insistia em rejeitar a idéia, que eu entendi que namoro para nós, pudesse ter diferente significado.”Se eu já disse o que sinto por você, e você gosta de mim, por que não?

No japão, quando se está apaixonado,  o primeiro passo é o kokuhaku, que em uma tradução liberal, significa confessar seu amor pra pessoa. Ao confessar o que sente, você basicamente pede seu amado em namoro e AÍ SIM se sai em encontros para se conhecerem. Completamente o oposto do Brasil! Eu não conseguia me imaginar namorando uma pessoa que era totalmente nova para mim uma vez que namoro no Brasil (pelo menos pra mim e da forma que fui educada) sugere apresentar o namorado à família, abrir a casa para ele vir e ir a vontade com você, ser próximo e comum aos amigos (de ambos) e acima de tudo, ser uma pessoa que você ama e confia com todo o coração. Como criar uma relação sem isso?

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Lembro que naquela época, aprendi a minha primeira lição. Teria de manter sempre minha mente aberta e lembrar que para nós, toda situação teria de ser abordada de forma diferente. Meu coração palpitava mais forte e decidi entrar nessa aventura maravilhosa. Aos poucos fomos nos ajustando um ao outro e moldando nossa própria ideia do que é certo e errado. Nossa história somos nós que fizemos e percebi que a comunicação (como em qualquer relação amorosa) vai ser sempre a parte mais importante, e onde tem amor, tudo se resolve. Minha segunda lição, foi perceber que sempre vamos ter pequenos conflitos de mal-entendidos. A língua que usamos para nos comunicarmos é o inglês – minha segunda língua e a segunda língua dele também -, ou seja, haverão vezes em que não conseguirei expressar exatamente o que quero ou como me sinto e isso gera frustração. O mesmo serve para quando falamos de senso comum. O que é de senso comum para mim, não é para ele. E isso vale para hábitos, gestos e conversas. Acredito também, que a relação só funciona por que nós dois mantemos como disse lá no início, a mente aberta. Se eu não estivesse de acordo em entender que certas coisas são normais para ele (como tirar os sapatos ao entrar em casa, por exemplo) e ele não aceitasse o quão afetuosa eu sou (o contato físico é grande parte da cultura brasileira), jamais nos ajustaríamos a ponto de aceitar o outro como ele é e com toda a bagagem que ele traz.

IMG_4868Em sua primeira visita a Dubai por minha causa (quando veio para me ver), eu quis muito apresentar Jun aos meus amigos. O tempo que tínhamos era extremamente curto. Jun ficaria em Dubai por somente 3 dias e já teria de voltar para Australia. Foi quando tivemos nossa primeira experiência de choque cultural. Para mim, era importante que ele conhecesse os meus amigos, pois tanto ele, como aqueles que estão aqui em Dubai comigo são pessoas de grande importância e, ter todas as pessoas que amo (e que posso unir) em um só lugar, trocando conversas e experiências, me faria muito feliz. Para mim, fazia muito sentido eu querer apresenta-lo aos meus amigos. Afinal, quer sinal maior de que a garota está gostando mesmo de você?

Para Jun, a experiência foi diferente. Comparados aos Brasileiros, os Japoneses são extremamente reservados sobre suas vidas pessoais. Eles não falam de sua vida amorosa nem mesmo para seus amigos próximos (com exceções, claro). Faz parte da cultura e é algo natural deles, assim como é para nós, brasileiros, conversar sobre tudo com os amigos e inclusive pedir conselhos. Naquela época, Jun achava que eu não o estava correspondendo bem, pois em sua mente (e eu fui entender mais tarde, conversando com ele), se nós tínhamos apenas 3 dias para estarmos juntos, por que eu estava dividindo o pouco tempo que tinha com ele? Eu demorei um bom tempo para entender isso. Era tudo muito óbvio pra mim, por que ele não conseguia entender? Foi aí que eu percebi que precisava explicar a importância daquele evento para mim. Minha intenção nunca foi em ter menos tempo com ele, e sim, unir os tempos de todos nós para uma noite agradável de novas descobertas e diálogos interessantes. Eu também precisei de tempo para interpretar os motivos dele de forma correta e aberta, sem desconfianças e dúvidas. Combinamos de sempre explicar as coisas abertamente um para o outro para não haver mais esse tipo de desencontro.

 IMG_5404Lembro que em alguns conflitos que tivemos, eu o ouvia dizer “I don’t care” (eu não me importo) e costumava ficar fula da vida por que sempre entendia como “não estou nem aí”. Fui perceber depois de muita conversa, que a mesma frase pode significar também um leve “Não me importo se em vez de irmos para tal lugar, formos para outro”. No caso da briga, significava um simples “Eu não me importo de fazer diferente” ou “Não me importo com o que aconteceu, passou, está tudo bem”. Tudo depende do contexto que você coloca. Entendem? Fora tantas outras vezes em que ele usou palavras que eu não entendia o significado por que além de tudo isso, o inglês de Jun é Australiano e o meu é Americano. Muitas palavras e gírias usados em ambos os países são diferentes.

Namorar alguém de uma cultura diferente da sua, expande seus horizontes e te ensina amor em outra língua. Passei a ver as coisas com outros olhos e conheci um um mundo novo de hábitos, tradições e ideias. Passamos horas conversando sobre as diferenças e semelhanças de nossos países e tudo o que notamos um no outro. A curiosidade e a compreensão são coisas que praticamos todos os dias, até na pesquisa de uma simples palavra na língua minha, ou dele. Acho muito meigo quando recebo um “Bom dia” em nosso bom e velho português de Jun! Me faz perceber seu interesse em mim e no meu background. O esforço de entender nossas diferenças e trabalha-las parte um do outro em conhecer de perto cada vez mais de onde viemos e por que fazemos as coisas do jeito que fazemos.

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beijos, Fernanda
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